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19.08.2026

Tesouro RendA+: guia completo aposentadoria

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O Tesouro RendA+ é o título público desenhado especificamente para planejamento de aposentadoria. Lançado em janeiro de 2023, rapidamente virou uma das alternativas mais atrativas à previdência privada - com custos baixíssimos, risco soberano e uma mecânica simples: você acumula durante anos, e o título paga uma renda mensal por 20 anos na fase de benefício.

Em agosto de 2026, as taxas vão de IPCA + 7,16% a IPCA + 7,64% ao ano, conforme o vencimento - um dos patamares de juro real mais altos da história do programa. Neste guia, explicamos como funciona, como calcular seu plano de aposentadoria, vantagens contra previdência privada e erros a evitar.

Última atualização: agosto de 2026. As taxas do Tesouro Direto mudam todos os dias úteis - confirme sempre no site oficial antes de investir.

O que é o Tesouro RendA+?

É um título público federal que funciona em duas fases:

  1. Fase de acumulação: você compra o título (de uma vez ou mensalmente) durante os anos que antecedem a aposentadoria. Durante esse período, o título rende IPCA + taxa prefixada.
  2. Fase de conversão (20 anos): após a data de conversão escolhida, o título deixa de render e passa a pagar uma renda mensal ajustada pelo IPCA por 240 meses (20 anos).

Ou seja: você planta dinheiro durante décadas, e depois colhe 20 anos de renda passiva complementar à aposentadoria do INSS.

Vencimentos disponíveis em 2026

Atualmente, os vencimentos oferecidos são:

Título Data de conversão Taxa (18/08/2026) Ideal para quem tem hoje
Tesouro RendA+ 2030 15/01/2030 IPCA + 7,64% 60-62 anos
Tesouro RendA+ 2035 15/01/2035 IPCA + 7,46% 55-57 anos
Tesouro RendA+ 2040 15/01/2040 IPCA + 7,32% 50-52 anos
Tesouro RendA+ 2045 15/01/2045 IPCA + 7,24% 45-47 anos
Tesouro RendA+ 2050 15/01/2050 IPCA + 7,18% 40-42 anos
Tesouro RendA+ 2055 15/01/2055 IPCA + 7,16% 35-37 anos
Tesouro RendA+ 2060 15/01/2060 IPCA + 7,16% 30-32 anos
Tesouro RendA+ 2065 15/01/2065 IPCA + 7,16% 25-27 anos

Repare que a curva é inclinada: os vencimentos mais curtos pagam mais juro real que os mais longos. A regra continua simples: escolha o vencimento mais próximo da idade em que você quer começar a receber a renda. Geralmente, entre 60 e 65 anos.

Vantagem fiscal: a isenção parcial de IR

Este é um dos grandes atrativos do RendA+. Durante a fase de benefícios, a renda recebida tem isenção de IR sobre os primeiros 6 salários mínimos anuais acumulados.

Como funciona na prática em 2026 (salário mínimo = R$ 1.621, conforme o Decreto 12.797/2025):

  • 6 salários mínimos/ano = R$ 9.726.
  • Dividido por 12 meses = ~R$ 810/mês de renda isenta.

Se sua renda mensal do RendA+ for até R$ 810 (reajustados pelo salário mínimo), você paga zero IR. Acima disso, paga IR na tabela regressiva da renda fixa (no geral 15% após 720 dias).

Para quem recebe, por exemplo, R$ 2.000/mês do RendA+, cerca de R$ 1.190 são tributados.

Como calcular o quanto precisa investir

O Tesouro Direto oferece uma calculadora oficial no próprio site, mas a lógica é:

Passo 1: defina a renda mensal desejada em R$ atuais (poder de compra de hoje). Exemplo: R$ 3.000.

Passo 2: defina o ano em que quer começar a receber. Exemplo: 2045 (daqui a 19 anos).

Passo 3: verifique o preço unitário do RendA+ desse vencimento. O preço varia bastante conforme a data de conversão e as taxas do dia, e o Tesouro permite comprar frações a partir de valores muito baixos.

Passo 4: use o simulador oficial do Tesouro Direto para converter a renda desejada no valor que precisa acumular.

Exemplo prático: para receber R$ 3.000/mês a partir de 2045 (em poder de compra de hoje), pode precisar acumular na ordem de R$ 380.000 a R$ 420.000 em títulos RendA+ 2045 até 2044, dependendo das taxas que conseguir travar ao longo do caminho.

Simulação: aposentadoria em 19 anos

Vamos simular: Pedro, 40 anos, quer começar a receber a partir dos 60 anos. Ele escolhe o Tesouro RendA+ 2045 a IPCA + 7,24% e faz aportes mensais durante 19 anos.

Alguns cenários de aportes mensais:

Aporte mensal Total acumulado em 2045 Renda mensal estimada (20 anos)
R$ 500 ~R$ 237.000 ~R$ 1.840/mês
R$ 1.000 ~R$ 475.000 ~R$ 3.680/mês
R$ 1.500 ~R$ 712.000 ~R$ 5.530/mês
R$ 2.000 ~R$ 950.000 ~R$ 7.370/mês

Valores em R$ de hoje, mantidos pelo IPCA, assumindo que a taxa de IPCA + 7,24% se mantém em todos os aportes. Simulação aproximada - use o simulador oficial do Tesouro Direto para números exatos.

Repare no poder dos juros compostos: R$ 1.000/mês durante 19 anos significa R$ 228.000 aportados, que se transformam em cerca de R$ 475.000 acumulados e pagam ~R$ 3.680 mensais durante 20 anos. Ou seja, o total recebido na fase de benefícios ronda os R$ 883.000 em poder de compra de hoje - praticamente quatro vezes o que foi aplicado.

Tesouro RendA+ vs previdência privada

Esta é a comparação mais relevante para quem pensa em aposentadoria. O RendA+ foi explicitamente desenhado para competir com PGBL e VGBL:

Característica Tesouro RendA+ Previdência privada (PGBL/VGBL)
Rentabilidade IPCA + 7,16% a 7,64% (travada na compra) Varia conforme fundo (1-6% real)
Taxa de administração 0,20% a.a. (B3) 0,5% a 3% a.a.
Taxa de carregamento Zero 0% a 3% (por aporte)
Risco do emissor Soberano (máxima segurança) Seguradora (sem FGC)
Dedução no IR Não PGBL: até 12% da renda bruta
IR sobre benefícios 15% + isenção parcial (6 SM) Regressiva (10% após 10 anos) ou progressiva
Herança/Sucessão Via inventário Direto aos beneficiários (vantagem)
Portabilidade Liquidez no Tesouro Direto Entre planos de mesma modalidade

Conclusão prática:

  • Para quem faz declaração completa e tem rendimentos altos: o PGBL pode ainda fazer sentido pela dedução de até 12% - especialmente em bancos com taxas baixas (BB Previdência, Caixa, Bradesco Prev, Icatu).
  • Para quem faz declaração simplificada ou não tem desconto relevante: o RendA+ ganha por goleada em rentabilidade líquida.
  • Para planejamento sucessório: PGBL/VGBL ainda têm vantagem (evitam inventário).

O ideal, para muitos, é combinar os dois: parte em PGBL (pela dedução) + parte em RendA+ (pela rentabilidade líquida superior).

Tesouro RendA+ vs Tesouro IPCA+

Ambos pagam IPCA + cerca de 7% a 8% e são seguros. A diferença:

  • IPCA+ tradicional: todo o valor (capital + juros) é pago no vencimento ou via juros semestrais. Se você vive até 85 anos com IPCA+ 2050, recebeu tudo em 2050, e agora precisa investir esse montante em algo que gere renda - sujeito a reinvestimento e flutuação de juros.
  • RendA+: já paga renda mensal por 20 anos automaticamente. Não precisa se preocupar com reinvestimento na velhice, quando capacidade cognitiva pode ser reduzida.

Para quem quer simplicidade pós-65 anos: RendA+ é superior. Para quem quer flexibilidade e controle: IPCA+ tradicional permite decidir a cada ciclo como usar o dinheiro.

Como investir no Tesouro RendA+

O processo é idêntico aos outros títulos:

  1. Escolha uma corretora com taxa zero (Nubank, Inter, C6, XP, BTG, Rico, etc.).
  2. Transfira recursos via Pix.
  3. No app, procure "Tesouro Direto" > "RendA+".
  4. Escolha o vencimento conforme sua idade e objetivo.
  5. Informe o valor ou quantidade de títulos. Aplicação mínima: cerca de R$ 2 a R$ 20 conforme o vencimento (em agosto de 2026, ia de R$ 1,84 no 2065 a R$ 19,47 no 2030).

Para um guia detalhado, veja Como investir no Tesouro Direto passo a passo.

Estratégia de acumulação: aporte único ou recorrente?

Aporte único

Se você tem um valor grande hoje, aplicar de uma vez trava a taxa atual para todo o período. Vantagem: aproveita juros reais altos atuais.

Aporte mensal

A maioria das pessoas investe aos poucos, mensalmente, à medida que recebe salário. Vantagem: disciplina, e cada aporte "pega" a taxa vigente no momento - reduz risco de entrar no pior momento.

Estratégia híbrida (recomendada)

Se você tem R$ 50.000 hoje e planeja aportar R$ 1.000/mês: considere aplicar R$ 30-40 mil agora (para travar taxa atual) e manter os aportes mensais para continuar acumulando.

Resgate antecipado: pode?

Sim. O Tesouro Nacional garante liquidez diária para todos os títulos do programa, incluindo RendA+. Mas há um ponto crítico: marcação a mercado.

Se você resgatar antes do vencimento, recebe o valor de mercado do título - que pode estar acima ou abaixo do investido, dependendo de onde os juros estão.

Em cenário de queda de juros, o RendA+ se valoriza - pode dar para resgatar com ganho. Em cenário de alta de juros, pode resgatar com prejuízo. Ao longo de 2026 esse efeito tem sido violento nos vencimentos mais longos, com oscilações de dois dígitos em poucas semanas.

Moral: se vai precisar do dinheiro em menos de 5 anos, não use RendA+. Use Tesouro Selic ou Reserva.

Tributação detalhada

Durante a acumulação

Zero IR enquanto você acumula. O título vai rendendo "dentro" até a data de conversão.

Na conversão

Se você leva o título até a data de conversão e inicia os pagamentos mensais, o IR incide conforme a tabela regressiva sobre a parcela tributável de cada pagamento.

Como o RendA+ é naturalmente longuíssimo prazo, a alíquota aplicável é quase sempre 15% (prazo acima de 720 dias).

Isenção de 6 salários mínimos

A parte da renda mensal que corresponde a até 6 salários mínimos anuais é isenta. O restante é tributado.

Se resgatar antes

IR regressivo sobre o ganho (22,5% a 15%, dependendo do tempo desde o primeiro aporte).

Custos

  • Taxa B3: 0,20% ao ano sobre o saldo. Durante a fase de benefícios, a cobrança continua.
  • Taxa da corretora: maioria cobra zero.
  • Taxa de saída: zero (se levar até a conversão).

Para comparação: fundos de previdência cobram tipicamente 1,5% a 3% ao ano em taxa de administração, o que corói violentamente o retorno em 20-30 anos.

Erros comuns

  1. Escolher o vencimento errado. O RendA+ 2030 é para quem já está perto dos 60 hoje, não para um jovem de 30.
  2. Usar RendA+ como reserva de emergência. É título de longuíssimo prazo com marcação a mercado. Para reserva, use Tesouro Selic ou Reserva.
  3. Ignorar a previdência privada por completo. Se você declara no completo e tem rendimentos altos, 12% de dedução no PGBL pode compensar boas taxas.
  4. Parar de aportar depois de um tempo. RendA+ depende de consistência. Automatize aportes se possível.
  5. Não diversificar vencimentos. Comprar apenas RendA+ 2045 concentra tudo numa data. Considere também RendA+ 2050 ou 2055 para diversificar o ciclo de juros.

Perguntas frequentes

E se eu morrer antes de começar a receber?

Os títulos vão para os herdeiros via inventário. Eles podem continuar o plano, resgatar (com marcação a mercado) ou receber os pagamentos após a conversão.

Posso comprar RendA+ para meus filhos?

Sim. Pais podem abrir conta no Tesouro Direto em nome dos filhos menores. O RendA+ com vencimentos longos (2055, 2060, 2065) é excelente para planejamento de longo prazo.

Qual a diferença entre RendA+ e Educa+?

Mecânica muito similar. Educa+ paga renda por 5 anos (típico de graduação), enquanto RendA+ paga por 20 anos (aposentadoria).

Posso mudar de ideia e parar de aportar?

Sim, a qualquer momento. Se você parar, os títulos já comprados continuam rendendo normalmente até o vencimento.

RendA+ substitui o INSS?

Não. Complementa. INSS é obrigatório para trabalhadores formais. RendA+ é voluntário e se soma à aposentadoria pública.

Conclusão

O Tesouro RendA+ é, para muitos brasileiros, a melhor opção de aposentadoria complementar disponível hoje no mercado. Combina:

  • Rentabilidade travada acima da inflação (IPCA + 7,16% a 7,64% em agosto de 2026).
  • Custos muito menores que previdência privada tradicional.
  • Risco soberano (máxima segurança).
  • Mecânica simples: renda mensal automática por 20 anos.
  • Isenção parcial de IR na fase de benefícios.

Recomendação: se você tem idade entre 25 e 60 anos e quer começar a planejar aposentadoria, o RendA+ deve estar no seu radar. Comece com aportes mensais adequados ao seu orçamento - qualquer valor é melhor que nada.

Para entender o contexto completo do Tesouro Direto, veja o nosso guia completo do Tesouro Direto 2026. Para explorar a alternativa de renda passiva com títulos IPCA+ tradicionais, veja o guia do Tesouro IPCA+. Para comparar com previdência privada em detalhe, veja nosso guia de PGBL vs VGBL.

Aviso: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. As simulações são aproximações e não garantem resultados futuros. Taxas e preços mudam diariamente - consulte sempre o site oficial do Tesouro Direto antes de investir.

Autor
O Franklin é formado em Economia e mestre em Finanças. Concluiu o nível II do CFA e conta com cerca de três anos de experiência em gestão de patrimônios, como analista de carteiras e fundos de investimento na Golden Wealth Management. Criou o canal de YouTube "Edge Over Hedge" sobre educação financeira. É o nosso Warren Buffett - embora mais jovem.