

O Tesouro Direto é o programa de compra de títulos públicos pela internet da Secretaria do Tesouro Nacional. Mais de 3 milhões de brasileiros investem hoje pelo programa - com bom motivo: é o investimento mais seguro do Brasil, acessível a partir de pouco mais de R$ 30 e com rentabilidades competitivas.
Em 2026 o programa passou por uma reformulação importante: os títulos foram racionalizados, o Tesouro Selic agora tem apenas uma versão, e foi lançado o Tesouro Reserva - uma novidade com liquidez 24/7 para competir com as "caixinhas" dos bancos digitais. Neste guia completo, explicamos tudo o que você precisa saber para começar: o que é, como funciona, quais títulos existem, tributação, custos e como escolher o melhor para seu objetivo.
O que é o Tesouro Direto?
O Tesouro Direto é um programa criado em 2002 pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 que permite à pessoa física comprar títulos públicos federais pela internet. Antes dele, só investidores institucionais tinham acesso a esses títulos.
Ao comprar um título público, você está emprestando dinheiro ao governo federal. Em troca, recebe o valor de volta acrescido de juros na data de vencimento (ou antes, se resgatar).
Por ser emitido pelo governo, é considerado o investimento mais seguro do país - só há risco se o próprio governo brasileiro fizer default, cenário em que o FGC e outros mecanismos também estariam em risco. É a chamada garantia soberana.
Tesouro Direto vs CDB: qual é mais seguro?
O Tesouro Direto é mais seguro que qualquer CDB. A razão:
- CDBs são emitidos por bancos privados. A proteção é do FGC, com limite de R$ 250 mil por CPF por conglomerado.
- Tesouro Direto é emitido pelo governo federal. Não tem FGC - mas também não precisa: quem garante o pagamento é o próprio governo. Não há limite de valor protegido.
Para patrimônios grandes em renda fixa, o Tesouro é essencial - não está exposto a limites de garantia.
Os títulos do Tesouro Direto em 2026
A partir de 2026, o rol de títulos do Tesouro Direto foi simplificado e racionalizado. Temos 5 "famílias" de títulos disponíveis:
| Título | Indexador | Objetivo principal | Vencimento típico |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | Taxa Selic (pós-fixado) | Reserva de emergência | Até 6 anos |
| Tesouro Reserva | 100% Selic (pós-fixado) | Reserva com liquidez 24/7 | 10 anos (resgate imediato) |
| Tesouro IPCA+ | IPCA + juros fixos | Proteção contra inflação, médio/longo prazo | 5 a 40 anos |
| Tesouro Prefixado | Taxa fixa no momento da compra | Apostar em queda de juros | 3 a 10 anos |
| Tesouro RendA+ | IPCA + juros fixos | Aposentadoria (renda mensal por 20 anos) | Até 40 anos acumulação |
| Tesouro Educa+ | IPCA + juros fixos | Educação dos filhos | Conforme idade da criança |
Tesouro Selic
Pós-fixado, acompanha a taxa Selic. É o mais indicado para reserva de emergência porque tem baixíssima volatilidade e rende próximo da taxa básica de juros.
Em 2026, o Tesouro Selic passou a ter uma única versão (antes eram duas, com vencimentos diferentes), com prazo de até 6 anos e revisão a cada 2 anos. Aplicação mínima: cerca de R$ 180.
Taxa atual (abril 2026): Selic + 0,05% a 0,10% ao ano.
Tesouro Reserva (novidade 2026)
Novo título lançado em março de 2026 para competir diretamente com as "caixinhas" dos bancos digitais. Principais características:
- 100% da Selic, pós-fixado.
- Liquidez 24/7: aplicações e resgates a qualquer hora, inclusive fins de semana e feriados, via Pix.
- Sem marcação a mercado: o valor resgatado é sempre o aplicado + rendimento acumulado. Não há oscilação diária como no Tesouro Selic.
- Aplicação mínima: R$ 1.
- Vencimento nominal de 10 anos, mas pode ser resgatado a qualquer momento.
É uma alternativa direta a produtos como caixinhas do Nubank, PicPay, Mercado Pago e CDBs de liquidez diária - com a vantagem do risco soberano.
Tesouro IPCA+
O mais vendido para médio e longo prazo. Paga IPCA + uma taxa prefixada. Exemplo: IPCA+ 7% ao ano significa que o investidor receberá, ao fim do período, a inflação acumulada mais 7% ao ano real.
Taxas atuais (abril 2026):
- IPCA+ 2029: IPCA + 7,72% a.a.
- IPCA+ 2040: IPCA + 7,07% a.a.
- IPCA+ 2050: IPCA + 6,93% a.a.
Existe também a versão com juros semestrais, que paga cupom a cada 6 meses (útil para gerar renda passiva).
Importante em 2026: com a Selic projetada para cair de 15% para ~12% ao longo do ano, analistas consideram este um momento de "janela de ouro" para travar taxas reais altas em IPCA+ - se a queda de juros se materializar, a marcação a mercado pode gerar ganho adicional de capital para quem vender antes do vencimento.
Tesouro Prefixado
Paga uma taxa fixa ao ano, conhecida no momento da compra. Exemplo: Prefixado 2035 com taxa de 13,58% a.a. - qualquer que seja a inflação ou os juros no futuro, você recebe exatamente essa taxa.
Também tem versão com juros semestrais.
Funciona bem se você acha que os juros vão cair no futuro (trava a taxa alta agora). O risco: se a inflação subir muito, o rendimento real pode ficar baixo ou até negativo.
Tesouro RendA+
Lançado em 2023, desenhado especificamente para planejamento de aposentadoria. Em vez de pagar todo o capital na data de vencimento, paga uma renda mensal durante 20 anos após a data de conversão.
Exemplos de vencimentos: 2030, 2035, 2040, 2045, 2050, 2055, 2060, 2065. Taxas atuais: IPCA + 7,12% a 7,10% ao ano.
É uma alternativa forte à previdência privada, com custo muito menor e sem risco de crédito do emissor.
Tesouro Educa+
Similar ao RendA+, mas desenhado para custear a educação dos filhos. Paga renda mensal durante 5 anos (tempo típico de uma graduação) após a data de conversão.
Escolha o vencimento de acordo com a idade da criança: se o filho tem 5 anos em 2026, compre Educa+ 2039 (para começar a pagar quando tiver 18 anos e for para a faculdade).
Tributação do Tesouro Direto
Todos os títulos do Tesouro Direto seguem a tabela regressiva do IR:
| Prazo do investimento | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
O IR incide apenas sobre o rendimento (não sobre o capital aplicado). É retido na fonte no momento do resgate.
Também há IOF para resgates nos primeiros 30 dias (regressivo de 96% a 0%). Depois de 30 dias, zero IOF.
Para o Tesouro RendA+ e Educa+ há uma isenção parcial: os primeiros 6 salários mínimos anuais recebidos durante a fase de benefícios são isentos de IR.
Custos de investir no Tesouro Direto
Os custos foram substancialmente reduzidos nos últimos anos:
- Taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor investido. Isenta para Tesouro Selic até R$ 10.000 - ou seja, quem tem apenas reserva de emergência não paga nada.
- Taxa da corretora: grande parte das corretoras cobra zero. Apenas algumas cobram (geralmente 0% a 0,5% ao ano).
- IR + IOF: conforme tabelas regressivas explicadas acima.
Em termos práticos, investir via Nubank, Inter, C6, XP, BTG, Rico ou Clear tem custo de corretagem zero. O único custo é a taxa B3 (e o IR no resgate).
Como funciona a marcação a mercado
Este é um dos pontos que mais confunde investidores iniciantes. A marcação a mercado é o mecanismo que faz o preço dos títulos pré-fixados e IPCA+ variar diariamente conforme as expectativas de juros.
Na prática:
- Se os juros de mercado sobem após sua compra → seu título vale menos (se vender agora).
- Se os juros de mercado caem → seu título vale mais (se vender agora).
Mas atenção: se você levar o título até o vencimento, recebe exatamente o combinado na compra. A marcação a mercado só afeta vendas antecipadas.
O Tesouro Selic tem marcação a mercado mínima (quase imperceptivel). O Tesouro Reserva e o Tesouro Educa+/RendA+ na fase de acumulação não têm marcação a mercado - o valor resgatado é sempre capital + rendimento.
Quanto o Tesouro Direto rende?
Depende do título. Com Selic a 14,65% (abril 2026):
- Tesouro Selic/Reserva: ~14,6% ao ano (bruto, antes do IR).
- Tesouro IPCA+ 2035: IPCA + 7,30% = se IPCA ficar em 4%, rendimento total ~11,3%.
- Tesouro Prefixado 2030: ~13,5% a 14% ao ano (fixo).
Após IR (15% para prazos acima de 720 dias), rentabilidade líquida aproximada:
- Tesouro Selic: ~12,4% líquido.
- Tesouro IPCA+ 2035: ~9,6% líquido (supondo IPCA 4%).
- Tesouro Prefixado 2030: ~11,5% líquido.
Qual Tesouro escolher para cada objetivo?
| Objetivo | Título recomendado | Por quê |
|---|---|---|
| Reserva de emergência (quer previsibilidade) | Tesouro Reserva | Liquidez 24/7, sem marcação a mercado |
| Reserva de emergência (tradicional) | Tesouro Selic | Alta liquidez, baixa volatilidade |
| Proteção de poder de compra (5-10 anos) | Tesouro IPCA+ 2035 | Rendimento real garantido |
| Longo prazo (15+ anos) | Tesouro IPCA+ 2050 | Taxa real alta travada |
| Apostar em queda de juros | Tesouro Prefixado | Valorização se juros caírem |
| Renda passiva mensal | IPCA+ com juros semestrais | Paga cupom a cada 6 meses |
| Aposentadoria | Tesouro RendA+ | Renda mensal por 20 anos |
| Educação dos filhos | Tesouro Educa+ | Renda mensal durante a graduação |
Como começar no Tesouro Direto
O processo é totalmente digital. Em resumo:
- Escolha uma corretora: praticamente todas oferecem Tesouro com taxa zero - Nubank, Inter, C6, XP, BTG, Rico, Clear, Ágora. Escolha pela facilidade do app ou por já ter relacionamento.
- Abra conta: processo 100% online, dura poucos minutos.
- Transfira dinheiro: via Pix ou TED.
- Compre o título: no app da corretora, procure "Tesouro Direto". Escolha o título, confirme quantidade e aplique.
- Acompanhe: o título fica custodiado na B3, em seu CPF. Você pode consultar, vender ou comprar mais a qualquer momento nos horários de funcionamento.
Para um tutorial detalhado, veja nosso guia Como investir no Tesouro Direto passo a passo.
Horários de funcionamento
- Tesouro Reserva: 24 horas por dia, 7 dias por semana (liquidez imediata via Pix).
- Demais títulos: dias úteis, 9h30 às 18h para compras e vendas a mercado. Fora desse horário, opera em modo "extended" com preços indicativos.
Riscos do Tesouro Direto
Apesar de ser o investimento mais seguro do Brasil, há alguns riscos a considerar:
- Risco de crédito (soberano): risco do governo brasileiro fazer default. Historicamente, nunca aconteceu no Tesouro Direto - mas, em teoria, é o risco final.
- Risco de marcação a mercado: vender títulos prefixados ou IPCA+ antes do vencimento pode gerar ganho ou perda de capital conforme o comportamento dos juros.
- Risco de inflação: títulos prefixados podem render abaixo da inflação se ela subir muito. IPCA+ protege contra isso.
- Risco de reinvestimento: títulos com juros semestrais pagam cupons que precisam ser reinvestidos a taxas potencialmente menores.
- Risco de liquidez: embora o Tesouro Nacional garanta recompra diária, em situações de estresse pode haver spread alto entre compra e venda.
Erros comuns de iniciantes
- Usar Prefixado como reserva de emergência: marcação a mercado pode gerar perda se precisar resgatar em momento ruim. Para reserva, use Tesouro Selic ou Reserva.
- Focar só na taxa nominal: um Tesouro Selic rende nominalmente mais com Selic alta, mas um IPCA+ 7% pode render mais em termos reais.
- Esquecer o IR e IOF nos primeiros 30 dias: IOF regressivo pode "comer" boa parte do rendimento se você resgatar cedo.
- Vender em pânico: títulos longos oscilam. Quem aguenta a volatilidade até o vencimento não perde nada.
- Não diversificar prazos: concentrar tudo num único título de um único prazo não aproveita o potencial do programa.
Tesouro Direto vs outras alternativas
| Característica | Tesouro Direto | CDB | LCI/LCA | Poupança |
|---|---|---|---|---|
| Risco | Soberano (menor) | Banco emissor (FGC protege) | Banco emissor (FGC protege) | Banco emissor (FGC protege) |
| Tributação | 15% a 22,5% IR | 15% a 22,5% IR | Isento | Isento |
| Rentabilidade típica | 100-110% CDI ou IPCA+7% | 95-115% CDI | 85-95% CDI (isento) | 70% CDI |
| Liquidez | Diária (Reserva: 24/7) | Depende do produto | Carência mínima 90 dias | Diária |
| Aplicação mínima | R$ 1 (Reserva) a ~R$ 40 | R$ 100 a R$ 5.000 | R$ 1.000+ | Qualquer valor |
Regra simples: poupança é quase sempre a pior opção. Para reserva de emergência, Tesouro Reserva/Selic ou CDB de liquidez diária de banco confiável. Para médio/longo prazo, IPCA+ ganha na maioria dos cenários.
Perguntas frequentes
Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?
Sim, em três cenários específicos: (1) se vender um Prefixado ou IPCA+ antes do vencimento quando os juros subiram (marcação a mercado negativa); (2) se resgatar nos primeiros 30 dias por causa do IOF; (3) em caso de default soberano do Brasil (nunca aconteceu no programa). Levando até o vencimento, você sempre recebe exatamente o combinado.
Preciso declarar no IR?
Sim. O Tesouro Direto vai na ficha Bens e Direitos (grupo 04, código 02) com o saldo em 31/12. Rendimentos tributados exclusivamente na fonte vão em "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva", código 06. Veja detalhes no nosso guia de como declarar investimentos no IRPF.
Tesouro Direto é melhor que CDB?
Geralmente sim em segurança (soberano vs banco) e para valores acima de R$ 250 mil (sem limite de garantia). CDBs podem ganhar em rentabilidade (especialmente de bancos médios com taxas agressivas), mas com risco maior.
Posso transferir Tesouro Direto entre corretoras?
Sim, sem custo. O título fica custodiado na B3 em seu CPF - a corretora é apenas o intermediário.
O que acontece se a corretora quebrar?
Seus títulos continuam seus. Como a custódia é na B3 (em seu CPF), qualquer investidor pode transferir os ativos para outra corretora sem perder nada.
Conclusão
O Tesouro Direto é a espinha dorsal de qualquer carteira conservadora no Brasil. Combina segurança máxima, custos baixíssimos, acesso a partir de R$ 1 e uma variedade de títulos para diferentes objetivos.
Em 2026, com a reformulação do programa e o lançamento do Tesouro Reserva, a proposta ficou ainda mais competitiva - oferecendo liquidez 24/7 que antes só existia nas caixinhas de bancos digitais, mas com risco soberano em vez de risco de crédito bancário.
Recomendação geral:
- Reserva de emergência: Tesouro Reserva ou Tesouro Selic.
- Médio prazo (5-10 anos): Tesouro IPCA+ intermediário.
- Longo prazo (15+ anos): Tesouro IPCA+ longo.
- Aposentadoria: Tesouro RendA+.
- Educação dos filhos: Tesouro Educa+.
Para escolher o melhor título para reserva, veja o artigo Tesouro Selic e Tesouro Reserva: como escolher. Para proteção contra inflação, o guia do Tesouro IPCA+. Para aposentadoria, o guia do Tesouro RendA+.
Para entender melhor o universo de renda fixa no qual o Tesouro se insere, vale também o guia completo de renda fixa no Brasil e o guia do FGC (que é por que o Tesouro é ainda mais seguro que CDBs).
Aviso: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Taxas e características dos títulos mudam diariamente - consulte sempre o site oficial do Tesouro Direto (tesourodireto.com.br) para informação atualizada.

