

O S&P 500 é um dos índices mais acompanhados do mundo, composto pelas 500 maiores empresas dos Estados Unidos. É a principal referência para medir o desempenho do mercado acionário americano, mas há um detalhe que muda tudo para o investidor brasileiro: o S&P 500 é cotado em dólares, não em reais.
Ou seja, quando você avalia a rentabilidade do índice a partir de quem vive no Brasil e gasta em reais, precisa considerar também a variação cambial entre o real e o dólar.
Neste artigo, mostramos a rentabilidade anual do S&P 500 convertida em reais, ano a ano, e explicamos como o câmbio afeta o retorno final para quem investe a partir do Brasil, usando o ETF IVVB11 como principal referência.
Rentabilidade anual média do S&P 500 em reais
Em 31 de dezembro de 2025, o retorno anualizado nominal em reais do S&P 500 desde janeiro de 1995 é de aproximadamente 18,1% ao ano, incluindo o reinvestimento de dividendos e sem cobertura cambial. 1995 é o primeiro ano completo após a criação do Real (1 de julho de 1994), por isso é o ponto de partida mais antigo possível para uma série histórica consistente em reais.
Esse número combina a performance do mercado acionário americano com a forte desvalorização estrutural do real frente ao dólar no período. Em 31 anos, R$ 1 investido teria se transformado em cerca de R$ 172.
Na tabela abaixo, você vê o retorno do S&P 500 em reais (sem cobertura cambial) para vários períodos, com fim em 31/12/2025:
| Período | Retorno acumulado | Retorno anualizado |
|---|---|---|
| 5 anos (2021-2025) | +107,6% | +15,7% |
| 10 anos (2016-2025) | +461,0% | +18,8% |
| 15 anos (2011-2025) | +2.277,3% | +23,5% |
| 20 anos (2006-2025) | +1.795,0% | +15,8% |
| Desde jan/1995 (31 anos) | +17.092,3% | +18,1% |
Fonte: cálculos próprios combinando o retorno total do S&P 500 (com dividendos) em USD com a variação da taxa PTAX USD/BRL do Banco Central do Brasil. Os dados anuais completos aparecem mais à frente.
Mais abaixo, exploramos as rentabilidades ano a ano e analisamos o papel do câmbio nesses números.
O S&P 500 e o impacto cambial
Como mencionado na introdução, o S&P 500 é cotado em dólares norte-americanos (USD). Quando um investidor brasileiro quer avaliar o desempenho do índice na sua moeda local (BRL), é fundamental considerar o impacto das flutuações cambiais.
A variação entre o dólar e o real pode influenciar de forma significativa a rentabilidade de um investimento, independentemente do desempenho das ações subjacentes. Quanto mais curto for o período, mais notório tende a ser esse impacto.
Exemplos práticos:
- Se o S&P 500 subir 10% no ano em dólares, mas o real valorizar 5% frente ao dólar, a rentabilidade em reais será aproximadamente +5%;
- Se o S&P 500 subir 10% no ano em dólares e o real desvalorizar 5% frente ao dólar, a rentabilidade em reais será aproximadamente +15%;
- Se o S&P 500 cair 5% em dólares, mas o real desvalorizar 10%, a rentabilidade em reais pode até ficar positiva, em torno de +5%.
É por isso que muitos brasileiros usam o S&P 500 também como forma de dolarizar o patrimônio. Em anos ruins para a bolsa americana, a desvalorização do real pode suavizar (ou até anular) as perdas em moeda local.
ETFs para avaliar a rentabilidade em reais
ETFs (Exchange Traded Funds) são instrumentos financeiros que replicam índices como o S&P 500 e ficam disponíveis para negociação na bolsa, como qualquer ação. Facilitam o investimento no índice e permitem calcular a rentabilidade anual de forma prática para o investidor brasileiro.
Para este estudo, usamos como referência dois produtos típicos do investidor no Brasil:
- O iShares S&P 500 FIC FI (IVVB11), negociado na B3 em reais, acessível via qualquer corretora nacional;
- O iShares Core S&P 500 ETF (IVV), negociado em Nova York em dólares, acessível a partir do Brasil via corretoras internacionais (Avenue, Nomad, Inter Invest, Interactive Brokers).
Ambos replicam o mesmo índice. A diferença principal está na moeda de negociação e na forma como o retorno é entregue ao investidor brasileiro.
ETFs sem e com cobertura cambial: qual é a diferença?
Sem cobertura cambial
Tanto o IVVB11 (em reais, na B3) como o IVV (em dólares, em Nova York) são ETFs sem cobertura cambial. Ou seja, a rentabilidade depende tanto do desempenho das ações do S&P 500 quanto da variação da taxa de câmbio USD/BRL.
- Vantagem: custo mais baixo e exposição direta ao dólar, o que funciona como proteção contra a desvalorização do real.
- Desvantagem: maior volatilidade, porque o câmbio adiciona oscilações ao retorno.
Com cobertura cambial
Existem também ETFs e fundos com cobertura cambial (hedge), que eliminam o efeito do câmbio e isolam apenas o retorno do índice em dólares, convertido para reais a uma taxa fixada. Deste modo, o retorno reflete apenas o desempenho das empresas do S&P 500, independentemente das oscilações do dólar.
- Vantagem: maior previsibilidade do retorno em relação ao índice original.
- Desvantagem: custo superior (os instrumentos de hedge não são grátis) e perda da proteção natural contra a desvalorização do real.
No Brasil, a oferta de ETFs com cobertura cambial para o S&P 500 ainda é limitada. A maioria dos investidores brasileiros opta por produtos sem hedge, como o IVVB11 ou a compra direta do IVV/VOO via corretora internacional, justamente para capturar o efeito da dolarização do patrimônio.
Rentabilidade anual do S&P 500 (em reais)
Na tabela seguinte, apresentamos a rentabilidade anual do S&P 500 em dólares e em reais (sem cobertura cambial), ano a ano, desde 2010. As colunas são:
- USD: retorno total do S&P 500 em dólares (com reinvestimento de dividendos);
- USD/BRL: variação da PTAX no ano (% positivo = dólar subiu frente ao real);
- BRL: retorno combinado em reais, equivalente ao que um ETF sem hedge como o IVVB11 tende a entregar.
| Ano | USD (S&P 500 TR) | USD/BRL | BRL (sem hedge) |
|---|---|---|---|
| 2025 | +17,88% | -11,14% | +4,75% |
| 2024 | +25,02% | +27,91% | +59,91% |
| 2023 | +26,29% | -7,24% | +17,15% |
| 2022 | -18,11% | -6,53% | -23,46% |
| 2021 | +28,71% | +7,39% | +38,23% |
| 2020 | +18,40% | +28,93% | +52,64% |
| 2019 | +31,49% | +4,02% | +36,80% |
| 2018 | -4,38% | +17,13% | +12,00% |
| 2017 | +21,83% | +1,50% | +23,66% |
| 2016 | +11,96% | -16,54% | -6,56% |
| 2015 | +1,38% | +47,01% | +49,04% |
| 2014 | +13,69% | +13,39% | +28,91% |
| 2013 | +32,39% | +14,64% | +51,79% |
| 2012 | +16,00% | +8,94% | +26,37% |
| 2011 | +2,11% | +12,58% | +14,98% |
| 2010 | +15,06% | -4,31% | +10,10% |
Fontes: retorno total do S&P 500 (com dividendos) via S&P Dow Jones Indices e Yahoo Finance (^SP500TR); variação da PTAX USD/BRL via Banco Central do Brasil. Retorno em BRL calculado por (1 + retorno USD) × (1 + variação cambial) - 1.
O padrão é claro: em anos de forte depreciação do real (2015, 2020, 2024), o retorno em reais supera com folga o retorno em dólares. Em anos de valorização do real (2016, 2023), o retorno em reais fica bem abaixo, podendo até ficar negativo, mesmo com o índice subindo em dólares.
Além da tabela acima, construímos também uma representação gráfica da evolução de cada elemento, que inicia em 1994, véspera do primeiro ano completo após a criação do Real:

Num período superior a 30 anos, o efeito cambial fica evidente: partindo de uma base 100 em 1994, o índice em reais chega a 17.192, contra 2.643 em dólares no mesmo período. A diferença reflete a desvalorização estrutural do real frente ao dólar desde a criação da moeda.
IVVB11 vs. IVV: qual escolher?
Do ponto de vista do resultado, os dois entregam exposição ao S&P 500 + variação cambial. Na prática, há diferenças que vale a pena conhecer:
- Taxa de administração: 0,23% ao ano no IVVB11 vs. 0,03% ao ano no IVV;
- Dividendos: o IVVB11 é acumulativo (reinveste automaticamente). O IVV distribui trimestralmente, e o investidor precisa reinvestir por conta;
- Custos de compra/venda: no IVVB11 você paga apenas corretagem na B3 (quase sempre zero). No IVV, é preciso somar spread cambial, IOF e corretagem internacional;
- Imposto de Renda: IVVB11 é tributado como ETF de renda variável no Brasil (15% sobre o lucro na venda, sem isenção de R$ 20 mil). Para o IVV comprado lá fora, vale a regra de tributação de aplicações financeiras no exterior da Lei 14.754/2023: alíquota fixa de 15% sobre o ganho, apurada anualmente na declaração, sem isenção de valor.
Para quem começa e quer simplicidade, o IVVB11 costuma ser o caminho mais direto. Quem já movimenta valores maiores e tem conta em corretora internacional pode preferir o IVV ou o VOO, pela taxa mais baixa. Veja o passo a passo completo para comprar o IVVB11 numa corretora nacional ou o IVV numa corretora internacional.
Conclusão
Analisar a rentabilidade anual do S&P 500 a partir do Brasil exige atenção à moeda de cotação e ao impacto do câmbio. Desde janeiro de 1995 (primeiro ano completo após a criação do Real), o retorno anualizado em reais ficou próximo de 18,1% ao ano, um multiplicador de cerca de 172x o capital investido em 31 anos. Nos últimos 15 anos, esse ritmo foi ainda mais forte, superando 23% ao ano, impulsionado pela valorização do dólar e pelo bull market americano.
A escolha entre um ETF sem hedge (IVVB11, IVV, VOO) e um produto com cobertura cambial depende do seu objetivo: quem quer dolarizar patrimônio deve ficar sem hedge; quem quer apenas capturar o retorno do índice, isolado do câmbio, pode preferir com hedge. Seja qual for a escolha, o mais importante continua a ser o horizonte de tempo: o S&P 500 recompensa quem persiste no longo prazo.
Aviso: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Capital em risco. Antes de investir, faça a sua própria análise e, se necessário, consulte um profissional certificado junto à CVM.




