

O S&P 500 é um dos índices mais acompanhados do mundo, composto por 500 das maiores empresas dos Estados Unidos. É a principal referência para medir o desempenho do mercado acionário americano, mas há um detalhe que muda tudo para o investidor brasileiro: o S&P 500 é cotado em dólares, não em reais.
Ou seja, quando você avalia a rentabilidade do índice a partir de quem vive no Brasil e gasta em reais, precisa considerar também a variação cambial entre o real e o dólar.
Neste artigo, mostramos a rentabilidade anual do S&P 500 convertida em reais, ano a ano, e explicamos como o câmbio afeta o retorno final para quem investe a partir do Brasil, usando o ETF IVVB11 como principal referência.
Rentabilidade anual média do S&P 500 em reais
Nos 15 anos de 2011 a 2025, o retorno anualizado nominal em reais do S&P 500 foi de aproximadamente 23,5% ao ano, incluindo o reinvestimento de dividendos e sem cobertura cambial. Nos 10 anos de 2016 a 2025, foi de 18,8% ao ano.
Esses números combinam a alta do mercado acionário americano com a desvalorização do real: o dólar passou de R$ 1,67 no fim de 2010 para R$ 5,50 no fim de 2025, pela PTAX, a taxa de câmbio de referência do Banco Central. Em 15 anos, R$ 1 investido teria se transformado em cerca de R$ 23,80.
Em valores mais próximos do dia a dia: R$ 10.000 investidos no início de 2016 teriam virado cerca de R$ 56.100 no fim de 2025, antes de taxas e impostos.
Na tabela abaixo, você vê o retorno do S&P 500 em reais (sem cobertura cambial) para vários períodos, com fim em 31/12/2025:
| Período | Retorno acumulado | Retorno anualizado |
|---|---|---|
| 5 anos (2021-2025) | +107,7% | +15,7% |
| 10 anos (2016-2025) | +461,3% | +18,8% |
| 15 anos (2011-2025) | +2.278,6% | +23,5% |
Fonte: cálculos próprios com os retornos anuais da tabela mais abaixo, que combinam o retorno total do S&P 500 (com dividendos) em USD com a variação da taxa PTAX USD/BRL do Banco Central do Brasil.
Mais abaixo, exploramos as rentabilidades ano a ano e analisamos o papel do câmbio nesses números.
O S&P 500 e o impacto cambial
Como mencionado na introdução, o S&P 500 é cotado em dólares norte-americanos (USD). Quando um investidor brasileiro quer avaliar o desempenho do índice na sua moeda local (BRL), é fundamental considerar o impacto das flutuações cambiais.
A variação entre o dólar e o real pode influenciar de forma significativa a rentabilidade de um investimento, independentemente do desempenho das ações subjacentes. Quanto mais curto for o período, maior tende a ser esse impacto.
Exemplos práticos:
- Se o S&P 500 subir 10% no ano em dólares, mas o real valorizar 5% frente ao dólar, a rentabilidade em reais será aproximadamente +5%;
- Se o S&P 500 subir 10% no ano em dólares e o real desvalorizar 5% frente ao dólar, a rentabilidade em reais será aproximadamente +15%;
- Se o S&P 500 cair 5% em dólares, mas o real desvalorizar 10%, a rentabilidade em reais pode até ficar positiva, em torno de +5%.
É por isso que muitos brasileiros usam o S&P 500 também como forma de dolarizar o patrimônio. Em anos ruins para a bolsa americana, a desvalorização do real pode suavizar (ou até anular) as perdas em moeda local.
ETFs para avaliar a rentabilidade em reais
ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos que replicam índices como o S&P 500 e ficam disponíveis para negociação na bolsa, como qualquer ação. Facilitam o investimento no índice e permitem calcular a rentabilidade anual de forma prática para o investidor brasileiro.
Para este estudo, usamos como referência dois produtos típicos do investidor no Brasil:
- O iShares S&P 500 FIC FI (IVVB11), negociado na B3 em reais, acessível via qualquer corretora nacional.
- O iShares Core S&P 500 ETF (IVV), negociado em Nova York em dólares, acessível a partir do Brasil via corretoras internacionais (Avenue, Nomad, Inter Invest, Interactive Brokers).
Ambos replicam o mesmo índice. A diferença principal está na moeda de negociação e na forma como o retorno é entregue ao investidor brasileiro. A lista completa de produtos, com taxas, está na comparação dos melhores ETFs do S&P 500.
ETFs sem e com cobertura cambial: qual é a diferença?
Sem cobertura cambial
Tanto o IVVB11 (em reais, na B3) como o IVV (em dólares, em Nova York) são ETFs sem cobertura cambial. Ou seja, a rentabilidade depende tanto do desempenho das ações do S&P 500 quanto da variação da taxa de câmbio USD/BRL.
- Vantagem: custo mais baixo e exposição direta ao dólar, o que funciona como proteção contra a desvalorização do real.
- Desvantagem: maior volatilidade, porque o câmbio adiciona oscilações ao retorno.
Com cobertura cambial
Existem também ETFs e fundos com cobertura cambial (hedge), que eliminam o efeito do câmbio e isolam apenas o retorno do índice em dólares, convertido para reais a uma taxa fixada. Assim, o retorno deixa de depender das oscilações do dólar.
- Vantagem: o resultado não sofre quando o real se valoriza.
- Desvantagem: perda da proteção natural contra a desvalorização do real.
Na B3, o exemplo mais conhecido é o SPXR11, da Itaú Asset, que acompanha um índice de contratos futuros do S&P 500 com ajuste cambial. O resultado de um produto com proteção cambial em reais também incorpora a diferença entre os juros do Brasil e dos EUA, embutida nos contratos futuros. Com os juros brasileiros mais altos, essa diferença soma ao retorno.
2026 ilustra o efeito. Até 9 de outubro, o SPXR11 acumulava alta de 27,73% e o IVVB11, sem proteção, de 8,00%, segundo a B3. Em anos de alta forte do dólar, como 2024, acontece o contrário e o produto sem proteção rende mais.
Rentabilidade anual do S&P 500 (em reais)
Na tabela seguinte, apresentamos a rentabilidade anual do S&P 500 em dólares e em reais (sem cobertura cambial), ano a ano, desde 2011. As colunas são:
- Em reais: retorno combinado em reais, equivalente ao que um ETF sem hedge como o IVVB11 tende a entregar antes da taxa de administração.
- Em dólares: retorno total do S&P 500 em dólares, com reinvestimento de dividendos.
- Dólar: variação da PTAX (taxa de câmbio de referência do Banco Central) no ano. Percentual positivo significa que o dólar subiu frente ao real.
| Ano | Em reais | Em dólares | Dólar |
|---|---|---|---|
| 2025 | +4,75% | +17,88% | -11,14% |
| 2024 | +59,91% | +25,02% | +27,91% |
| 2023 | +17,18% | +26,29% | -7,21% |
| 2022 | -23,43% | -18,11% | -6,50% |
| 2021 | +38,21% | +28,71% | +7,39% |
| 2020 | +52,64% | +18,40% | +28,93% |
| 2019 | +36,80% | +31,49% | +4,02% |
| 2018 | +12,00% | -4,38% | +17,13% |
| 2017 | +23,66% | +21,83% | +1,50% |
| 2016 | -6,56% | +11,96% | -16,54% |
| 2015 | +49,04% | +1,38% | +47,01% |
| 2014 | +28,91% | +13,69% | +13,39% |
| 2013 | +51,79% | +32,39% | +14,64% |
| 2012 | +26,37% | +16,00% | +8,94% |
| 2011 | +14,98% | +2,11% | +12,58% |
Fontes: retorno total do S&P 500 em USD (com dividendos) da S&P Dow Jones Indices, conforme a série de referência publicada pela Vanguard. Variação da PTAX USD/BRL do Banco Central do Brasil. Retorno em reais de 2021 a 2025: índice S&P 500 PTAX Brazilian Real (TR), referência do IVVB11, divulgado pela BlackRock. Anos anteriores calculados por (1 + retorno USD) × (1 + variação cambial) - 1.
O padrão é claro: em anos de forte depreciação do real (2015, 2020, 2024), o retorno em reais supera com folga o retorno em dólares. Em anos de valorização do real (2016, 2023, 2025), o retorno em reais fica bem abaixo, podendo até ficar negativo, mesmo com o índice subindo em dólares. O melhor ano em reais desde 2011 foi 2024 (+59,91%) e o pior foi 2022 (-23,43%).

O gráfico acima mostra a distância entre as duas barras em cada ano: em 2015, o índice rendeu 1,38% em dólares e 49,04% em reais.
E em 2026? O ano ainda não fechou, mas o dólar voltou a cair frente ao real. Até 8 de outubro, o IVV acumulava alta de 14,42% em dólares, segundo a iShares. Até 9 de outubro, o IVVB11 subia 8,00% em reais, segundo a B3.
O gráfico seguinte mostra o resultado acumulado, com base 100 no fim de 2010:

Em 15 anos, o efeito cambial fica evidente: partindo de uma base 100 no fim de 2010, o índice em reais chega a 2.379 no fim de 2025, contra 720 em dólares. A diferença reflete a desvalorização do real frente ao dólar no período.
S&P 500 em reais contra o CDI e a poupança
Para comparar com aplicações brasileiras: R$ 1.000 aplicados no início de 2017 teriam chegado ao fim de 2025 em cerca de R$ 6.007 no S&P 500 em reais, R$ 2.142 a 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, a taxa de referência da renda fixa) e R$ 1.652 na poupança, antes de impostos e taxas. A inflação medida pelo IPCA levaria os mesmos R$ 1.000 a R$ 1.550. O caminho foi bem diferente: o S&P 500 em reais caiu 23,43% em 2022, enquanto o CDI não teve nenhum ano negativo. Veja como funcionam as aplicações atreladas ao CDI no guia de renda fixa no Brasil.
IVVB11 vs. IVV: qual escolher?
Do ponto de vista do resultado, os dois entregam exposição ao S&P 500 + variação cambial. Na prática, há diferenças que vale a pena conhecer:
- Taxa de administração: 0,23% ao ano no IVVB11 vs. 0,03% ao ano no IVV.
- Dividendos: o IVVB11 é um dos ETFs acumulativos (reinveste automaticamente). O IVV distribui a cada trimestre e o investidor precisa reinvestir por conta própria.
- Custos de compra/venda: no IVVB11 você paga apenas a corretagem da sua corretora na B3. No IVV, é preciso somar o spread cambial, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 1,1% na remessa e a corretagem internacional.
- Imposto de Renda: IVVB11 é tributado como ETF de renda variável no Brasil (15% sobre o lucro na venda, sem isenção de R$ 20 mil). Para o IVV comprado lá fora, vale a regra de tributação de aplicações financeiras no exterior da Lei 14.754/2023: alíquota fixa de 15% sobre o ganho, apurada anualmente na declaração, sem isenção de valor.
Para quem começa e quer simplicidade, o IVVB11 costuma ser o caminho mais direto. Quem já movimenta valores maiores e tem conta em corretora internacional pode preferir o IVV ou o VOO, pela taxa mais baixa. Veja o passo a passo completo para comprar o IVVB11 numa corretora nacional ou o IVV numa corretora internacional.
Conclusão
Analisar a rentabilidade anual do S&P 500 a partir do Brasil exige atenção à moeda de cotação e ao impacto do câmbio. Nos 10 anos de 2016 a 2025, o retorno anualizado em reais ficou próximo de 18,8% ao ano. Nos 15 anos de 2011 a 2025, chegou a 23,5% ao ano, um multiplicador de cerca de 23,8 vezes o capital investido, impulsionado pela valorização do dólar e pela alta do mercado americano.
A escolha entre um ETF sem hedge (IVVB11, IVV, VOO) e um produto com cobertura cambial depende do seu objetivo: quem quer dolarizar patrimônio usa produtos sem hedge. Quem quer apenas capturar o retorno do índice, isolado do câmbio, pode preferir com hedge. Seja qual for a escolha, o que mais pesa é o horizonte de tempo: quanto mais longo o prazo, menor foi o peso do câmbio de um ano isolado no resultado. Quem quer depender menos de um único país pode ver também as alternativas globais ao S&P 500.
Perguntas frequentes
Quanto rendeu o S&P 500 em reais em 2025?
Rendeu 4,75%, com dividendos. Em dólares o índice subiu 17,88%, mas o dólar caiu 11,14% frente ao real no ano.
Qual é a rentabilidade média anual do S&P 500 em reais?
Cerca de 18,8% ao ano nos 10 anos de 2016 a 2025 e 23,5% ao ano nos 15 anos de 2011 a 2025, sem descontar inflação, taxas e impostos.
O IVVB11 rende o mesmo que o S&P 500 em reais?
Fica muito próximo. O IVVB11 investe em cotas do IVV e não tem proteção cambial, por isso acompanha o índice convertido para reais, menos a taxa de administração de 0,23% ao ano.
O S&P 500 pode dar prejuízo em reais?
Sim. De 2011 a 2025 houve dois anos negativos em reais: 2016 (-6,56%), quando o índice subiu em dólares e o real se valorizou, e 2022 (-23,43%), quando o índice e o dólar caíram juntos.
Disclaimer: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Capital em risco. Antes de investir, faça sua própria análise e, se necessário, consulte um profissional certificado junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).




