

Aviso: os criptoativos são investimentos altamente especulativos e podem resultar em perda total do capital. Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento.
Em janeiro de 2024, a SEC (a CVM dos EUA) aprovou os primeiros ETFs de Bitcoin "à vista" (spot), fundos negociados em bolsa que guardam o próprio Bitcoin. No Brasil já havia ETFs de criptoativos na B3: o HASH11, da Hashdex, foi lançado em abril de 2021. Se o conceito é novo para você, comece pelo guia sobre o que são ETFs e como investir.
Em 2026, o investidor brasileiro tem três formas principais de investir em Bitcoin pelo mercado regulado: ETFs de Bitcoin na B3 (em reais, pelo home broker), BDRs de ETFs americanos (como o IBIT39) e compra direta em exchanges (Mercado Bitcoin, Binance, Coinbase).
Neste artigo, comparamos os ETFs de Bitcoin disponíveis para brasileiros em 2026: taxas, exposição e gestoras, com dados conferidos nos sites das gestoras em outubro de 2026.
ETFs de Bitcoin na B3
A Hashdex lançou o HASH11 em abril de 2021 e outras gestoras vieram depois. Todos estes ETFs são regulados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e usam a mesma estrutura de negociação e custódia de um ETF de ações.
1. BITI11: It Now Bloomberg Galaxy Bitcoin
ETF de Bitcoin da Itaú Asset. Tem a menor taxa entre os ETFs de Bitcoin da B3 citados neste artigo.
- Taxa total: 0,35% a.a., segundo o material do fundo (janeiro de 2026).
- Índice: Bloomberg Galaxy Bitcoin Index.
- Como investe: o fundo não guarda Bitcoin diretamente. A exposição vem de cotas de um fundo de índice no exterior ou de contratos futuros.
2. BITH11: Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Price
ETF 100% Bitcoin da Hashdex, lançado em 2021.
- Taxa máxima global: 0,70% a.a., segundo a página do BITH11.
- Patrimônio: R$ 1,40 bilhão em 8 de outubro de 2026.
- Índice: Nasdaq Bitcoin Reference Price.
3. QBTC11: QR CME CF Bitcoin Reference Rate
Outro ETF 100% Bitcoin, gerido pela QR Asset, do grupo QR Capital.
- Taxa de administração: 0,70% a.a., segundo o regulamento do fundo divulgado em junho de 2022.
- Índice: CME CF Bitcoin Reference Rate.
4. HASH11: Hashdex Nasdaq Crypto Index
ETF de criptoativos da Hashdex, lançado em 22 de abril de 2021. É uma cesta de criptoativos, com o Bitcoin como maior posição.
- Composição em outubro de 2026: 74,88% Bitcoin, 11,46% Ethereum, 5,01% XRP, 3,85% Solana e o restante em outros criptoativos.
- Taxa máxima global: 1,30% a.a., segundo a página do HASH11.
- Patrimônio: R$ 2,65 bilhões em 8 de outubro de 2026.
5. ETHE11: Hashdex Nasdaq Ethereum Reference Price
Para quem quer exposição direta ao Ethereum (não é Bitcoin, mas costuma entrar na mesma comparação).
- Taxa máxima global: 0,70% a.a.
- Patrimônio: R$ 287 milhões em 8 de outubro de 2026.
BDR de ETF americano de Bitcoin
Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são recibos negociados na B3, em reais, que representam cotas de um ETF listado no exterior. Com eles, você compra pela corretora brasileira a exposição a um ETF de Bitcoin negociado nos EUA.
IBIT39: BDR do iShares Bitcoin Trust (IBIT)
BDR do IBIT, gerido pela BlackRock. O fundo original tinha US$ 66,3 bilhões em patrimônio em 9 de outubro de 2026.
- Taxa do ETF original: 0,25% a.a., segundo a página do IBIT.
- Ponto de atenção: o BDR acompanha um ativo cotado em dólar, então o preço em reais também varia com o câmbio. O volume negociado na B3 é bem menor que o do IBIT nos EUA.
Tabela comparativa
| ETF / BDR | Taxa | Exposição | Gestora |
|---|---|---|---|
| IBIT39 (BDR) | 0,25% a.a. (taxa do IBIT) | 100% Bitcoin | BlackRock |
| BITI11 | 0,35% a.a. | 100% Bitcoin | Itaú Asset |
| BITH11 | 0,70% a.a. | 100% Bitcoin | Hashdex |
| QBTC11 | 0,70% a.a. | 100% Bitcoin | QR Asset |
| ETHE11 | 0,70% a.a. | 100% Ethereum | Hashdex |
| HASH11 | 1,30% a.a. | Cesta de criptoativos (75% Bitcoin) | Hashdex |
Taxas consultadas em outubro de 2026 nos sites de BlackRock, Itaú Asset, Hashdex e no regulamento do QBTC11 (junho de 2022).
A diferença entre a taxa mais baixa (0,25%) e a mais alta (1,30%) é de 1,05 ponto percentual por ano. Em R$ 10.000 investidos, são cerca de R$ 105 por ano.

Como escolher o melhor ETF de Bitcoin?
1. Taxa de administração
Com o passar dos anos, a taxa tem impacto significativo. Entre os ETFs 100% Bitcoin da B3 citados aqui, o BITI11 (0,35%) cobra metade da taxa de BITH11 e QBTC11 (0,70%). O IBIT39 tem a taxa mais baixa no fundo original (0,25%).
2. Liquidez
Antes de comprar, veja no home broker o volume negociado no dia e a diferença entre os preços de compra e venda (spread). ETFs com mais patrimônio e mais negócios costumam ter spreads menores, o que pesa para quem negocia com frequência ou em valores altos.
3. Pureza da exposição
Se você quer só Bitcoin, as opções são BITI11, BITH11, QBTC11, IBIT39 ou a compra direta. Se quer exposição diversificada a criptoativos, HASH11.
4. Gestor e regulação
Todos os ETFs da B3 são regulados pela CVM. O IBIT39 combina negociação na B3 com um fundo gerido pela BlackRock nos EUA.
ETF de Bitcoin vs compra direta na exchange: qual é melhor?
ETF de Bitcoin: vantagens
- Simplicidade: compra pelo home broker da sua corretora (Rico, Inter, Nubank, XP), como qualquer ação.
- Custo de negociação baixo: várias corretoras brasileiras não cobram corretagem em ETFs. Confirme na tabela de custos da sua.
- Custódia delegada: não precisa gerenciar wallets nem seed phrases.
- Declaração de IR simplificada: tratamento igual a qualquer ETF.
- Estrutura regulada: fundo supervisionado pela CVM e negociado na B3.
ETF de Bitcoin: desvantagens
- Taxa de administração (0,25% a 1,30% a.a.). Na compra direta, não há taxa recorrente.
- Horário limitado: ETFs só negociam no horário do pregão da B3, em dias úteis, enquanto o Bitcoin negocia 24 horas por dia, 7 dias por semana.
- Você não detém o Bitcoin: vale a máxima "not your keys, not your coins".
- IR sobre ganho de capital: 15% sobre lucro na venda (sem isenção de R$ 20 mil).
Compra direta em exchange: vantagens
- Posse real do Bitcoin: você controla as chaves. Veja as melhores exchanges de criptomoedas no Brasil.
- Negociação 24/7: pode operar a qualquer hora.
- Isenção de IR em vendas até R$ 35 mil no mês, somando todos os criptoativos vendidos em exchanges no Brasil.
- Sem taxas recorrentes (só comissão na compra/venda).
- Transferência para cold wallet: você pode guardar as moedas fora da exchange.
Compra direta em exchange: desvantagens
- Gestão das chaves: perder seed phrase = perder tudo.
- Mais complexidade operacional: exchange, wallet, KYC, taxas de rede.
- Obrigação extra com a Receita: desde julho de 2026, a Instrução Normativa RFB 2.291/2025, que criou a Declaração de Criptoativos (DeCripto), substituiu a IN 1.888/2019. Quem opera por exchange estrangeira, por plataforma descentralizada ou sem intermediário precisa informar as operações do mês quando elas passam de R$ 35 mil.
Tributação de ETFs de Bitcoin no Brasil em 2026
Os ETFs de criptoativos na B3 são tratados como ETFs de renda variável:
- 15% de IR sobre ganho de capital (20% em day trade).
- Sem isenção de R$ 20 mil mensais (esta isenção vale só para ações).
- Recolhimento via DARF até o último dia útil do mês seguinte.
Para compra direta de Bitcoin em exchanges no Brasil:
- Vendas até R$ 35 mil no mês: lucro isento de IR. O limite soma todas as vendas de criptoativos do mês, como explica o guia da B3 sobre criptomoedas no Imposto de Renda.
- Acima disso: 15% a 22,5% sobre o ganho de capital, pelas faixas da Lei 13.259/2016. A alíquota de 15% vale para ganhos de até R$ 5 milhões.
- Recolhimento via DARF até o último dia útil do mês seguinte.
A medida provisória que acabaria com essa isenção em 2026 (MP 1.303/2025) perdeu a validade em outubro de 2025 sem ser votada, por isso a regra antiga continua valendo. Para criptoativos mantidos em exchanges no exterior, a referência é a Lei 14.754/2023, que tributa aplicações financeiras no exterior a 15% na declaração anual.
Esta diferença fiscal é importante: para quem vende menos de R$ 35 mil por mês, a compra direta em exchange brasileira pode sair mais barata em impostos. Veja como informar ETFs e criptoativos no guia para declarar investimentos no IRPF 2026.
Como comprar um ETF de Bitcoin pela sua corretora
O processo é idêntico ao de qualquer outro ETF ou ação na B3:
- Abra conta em uma corretora com acesso à B3 (Rico, Inter, Nubank, XP, BTG, Clear). Compare as melhores corretoras de investimentos do Brasil.
- Transfira via PIX.
- Pesquise pelo ticker (ex: BITI11, BITH11, HASH11).
- Digite a quantidade e o preço. O lote padrão dos ETFs na B3 é de 1 cota, então não é preciso usar o mercado fracionário.
- Confirme. A liquidação ocorre em D+2, como nas ações.
Conclusão: qual ETF de Bitcoin escolher?
Em resumo, por objetivo:
- Quer simplicidade e exposição 100% Bitcoin: BITI11 (menor taxa entre os ETFs de Bitcoin citados), BITH11 (R$ 1,40 bilhão de patrimônio) ou IBIT39 (BDR do IBIT, da BlackRock).
- Quer exposição diversificada a cripto: HASH11 (cesta com 74,88% em Bitcoin).
- Quer só Ethereum: ETHE11.
- Prefere posse real e tem horizonte longo: compra direta em exchange (Mercado Bitcoin, Binance, Coinbase) e transferência para cold wallet (Ledger, Trezor).
Qualquer que seja a escolha, lembre-se: criptoativos são investimentos de altíssima volatilidade e risco. O preço pode cair muito em pouco tempo e a perda pode ser total. Para as outras classes de ativos, veja como e onde investir seu dinheiro no Brasil.
Perguntas frequentes
Qual é o ETF de Bitcoin mais barato da B3?
Entre os citados neste artigo, o BITI11 tem a menor taxa entre os ETFs (0,35% a.a.). O BDR IBIT39 acompanha o IBIT, que cobra 0,25% a.a.
HASH11 é um ETF de Bitcoin?
Só em parte. O HASH11 segue uma cesta de criptoativos. Em outubro de 2026, o Bitcoin representava 74,88% da carteira.
ETF de Bitcoin tem isenção de IR?
Não. O lucro paga 15% (20% em day trade), sem a isenção de R$ 20 mil das ações e sem a isenção de R$ 35 mil da venda direta de criptoativos.
Qual é o valor mínimo para investir em ETF de Bitcoin?
O preço de 1 cota, que muda todos os dias e aparece no home broker da corretora.
Aviso: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.




