Fundos de renda fixa DI: o que são e como funcionam


Existem várias formas de fazer o dinheiro render com baixa oscilação no Brasil. Os fundos de renda fixa DI e os fundos de renda fixa simples são o equivalente brasileiro aos fundos de mercado monetário (money market funds) dos Estados Unidos e da Europa.
Neste artigo, vamos explicar de forma simples o que são esses fundos, os riscos, vantagens e como se comparam com alternativas populares como Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária e poupança. Para uma visão geral dos títulos, veja o guia de renda fixa no Brasil.
O que é um fundo de renda fixa DI?
Um fundo de renda fixa DI (também chamado de "fundo referenciado DI") é um tipo de investimento que aplica o dinheiro dos investidores principalmente em:
- Títulos públicos atrelados à Selic (Tesouro Selic, LFT).
- CDBs de bancos sólidos.
- Operações compromissadas (empréstimos de curtíssimo prazo entre bancos).
- Debêntures de alta qualidade (em alguns casos).
O objetivo desses fundos é acompanhar o CDI (Certificado de Depósito Interbancário, a taxa dos empréstimos entre bancos, que fica 0,10 ponto percentual abaixo da Selic), com liquidez diária e baixa volatilidade.
Para que servem?
São amplamente usados para:
- Reserva de emergência: dinheiro disponível para imprevistos, rendendo CDI com liquidez diária.
- Dinheiro "em trânsito": enquanto você decide onde investir.
- Diversificação com baixo risco: equilibrar uma carteira com componente conservador.
- Alternativa à poupança: com a Selic acima de 8,5% ao ano, o CDI rende mais que a poupança.
Quem aplicou R$ 1.000 a 100% do CDI em janeiro de 2017 tinha R$ 2.367 em setembro de 2026, antes de impostos e taxas. Na poupança, o mesmo valor chegou a R$ 1.754.

Em resumo
- Risco? Baixo: investem em dívida pública e em títulos de bancos de baixo risco de crédito. Não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
- Rentáveis? Acompanham o CDI, que está em 13,65% ao ano com a Selic em 13,75% (outubro de 2026).
- Flexíveis? Sim, liquidez diária (D+0 ou D+1).
Como funcionam?
Quando você investe num fundo DI, seu dinheiro é usado para comprar:
- Títulos públicos de curto prazo: principalmente Tesouro Selic (LFT), que paga Selic.
- CDBs de bancos.
- Operações compromissadas: empréstimos entre bancos garantidos por títulos públicos.
O objetivo é preservar o valor do capital e gerar rendimento próximo do CDI.
Tipos de fundos de renda fixa conservadores
No Brasil existem vários "sabores" de fundos com estratégias similares:
As categorias abaixo seguem a Resolução CVM 175, que regula os fundos de investimento.
1. Fundos DI (referenciados)
- A carteira é montada para acompanhar um índice de referência, neste caso o CDI.
- A maior parte do patrimônio fica em títulos públicos federais ou em títulos de baixo risco de crédito.
- Baixa volatilidade.
2. Fundos simples
- Categoria criada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o investidor iniciante.
- A carteira concentra títulos públicos federais ou títulos de instituições financeiras com risco equivalente.
- O nome do fundo traz o sufixo "Simples".
3. Fundos de renda fixa crédito privado
- Têm parcela relevante do patrimônio em títulos privados, como CDBs, debêntures e Letras Financeiras. O nome do fundo traz o sufixo "Crédito Privado".
- Buscam render acima do CDI.
- O risco de crédito é maior e a cota pode cair se um emissor tiver problemas. Entenda esses papéis no guia sobre debêntures e renda fixa privada.
4. Tesouro Selic (via Tesouro Direto)
- Tecnicamente não é um fundo: é um título público comprado diretamente.
- 100% do capital em LFT (título atrelado à Selic).
- Taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano, com isenção para os primeiros R$ 10.000.
- É o ativo que os fundos DI mais compram.
Quais são os riscos?
Mesmo sendo considerados seguros, esses fundos têm alguns riscos:
- Risco de crédito: em fundos com crédito privado, há pequena possibilidade de inadimplência de CDBs ou debêntures.
- Risco de taxa de juros: se a Selic sobe de repente, alguns títulos podem ter perdas de curto prazo (muito baixas em fundos DI, que compram títulos pós-fixados).
- Risco do gestor: má gestão pode resultar em rentabilidade abaixo do CDI.
- Sem garantia do FGC: fundos de investimento não contam com a garantia do FGC, ao contrário dos CDBs comprados diretamente. Veja o que o FGC cobre e o que fica de fora.
O patrimônio do fundo é separado do patrimônio da gestora e do banco que o distribui. Se a instituição quebrar, os títulos da carteira continuam pertencendo aos cotistas. O risco que fica é o dos emissores dos títulos dentro do fundo. Antes de aplicar, leia a lâmina de informações essenciais, que mostra carteira, taxas e rentabilidade.
O que conferir antes de escolher um fundo DI
Taxas, mínimos e prazos mudam de fundo para fundo. Os dados estão na lâmina e no regulamento, disponíveis no site da gestora ou da corretora. Confira:
- Taxa de administração: é descontada da rentabilidade todos os dias.
- Aplicação mínima.
- Prazo de resgate: D+0 (mesmo dia útil) ou D+1.
- Carteira: só títulos públicos ou também crédito privado.
- Rentabilidade: percentual do CDI entregue nos últimos 12 meses, já depois da taxa.
A alternativa direta: Tesouro Selic via Tesouro Direto
- Onde comprar: em bancos e corretoras habilitados. Veja como investir no Tesouro Direto.
- Rentabilidade: acompanha a Selic.
- Liquidez: venda até as 13h cai na conta no mesmo dia útil. Depois desse horário, no dia útil seguinte.
- Aplicação mínima: 1% do preço do título.
- Tesouro Reserva: lançado em maio de 2026, aceita aplicações a partir de R$ 1 e permite resgate a qualquer hora.
Fundo DI vs. CDB liquidez diária
Ambos servem para guardar dinheiro com baixo risco e liquidez diária. Mas têm características importantes diferentes:
| Característica | Fundo DI | CDB liquidez diária |
|---|---|---|
| Rentabilidade | CDI menos a taxa de administração | Percentual do CDI definido na contratação |
| Liquidez | Diária (D+0 ou D+1) | Diária |
| Garantia FGC | Não | Sim, até R$ 250 mil por instituição |
| Diversificação | Alta (múltiplos emissores) | Exposição a 1 banco |
| IR | Regressivo (22,5% a 15%) | Regressivo (22,5% a 15%) |
| Come-cotas | Sim (maio e nov) | Não |
| Taxa de administração | Varia por fundo | Sem taxa explícita |
Come-cotas: atenção importante
Fundos de renda fixa sofrem o "come-cotas", a antecipação do Imposto de Renda (IR) no último dia útil de maio e de novembro, prevista na Lei 14.754/2023. A alíquota é de 15% sobre o rendimento do período nos fundos de longo prazo e de 20% nos de curto prazo, mesmo que você não resgate.
CDBs não têm come-cotas: o IR é cobrado só no resgate ou no vencimento.
Simulação: R$ 10.000 aplicados por 10 anos a 13,65% ao ano viram R$ 32.057 líquidos em um CDB, com IR de 15% no fim. Em um fundo com a mesma rentabilidade bruta, sem taxa de administração e com come-cotas de 15% a cada semestre, o valor final é de R$ 29.824. A diferença de R$ 2.233 vem do imposto pago antes, que deixa de render.
Fundo DI vs. Tesouro Selic
| Característica | Fundo DI | Tesouro Selic |
|---|---|---|
| Rentabilidade líquida | Perto de 100% do CDI, menos a taxa | Selic, menos a custódia de 0,20% a.a. |
| Garantia | Sem FGC (mas ativos seguros) | Tesouro Nacional (máxima segurança) |
| Liquidez | D+0 na maioria | D+0 ou D+1 |
| Taxa | Administração, varia por fundo | Custódia de 0,20% a.a. (isenta até R$ 10.000) |
| Gestão | Ativa | Passiva (título puro) |
| Diversificação | Alta | Concentrada em 1 título |
O Tesouro Selic não tem come-cotas e tem custódia isenta até R$ 10.000, segundo as regras do Tesouro Direto. Acima desse valor, compare a custódia de 0,20% ao ano com a taxa de administração do fundo. O fundo, por outro lado, paga come-cotas.
Juros automáticos em bancos digitais
Muitos bancos digitais e corretoras brasileiras já oferecem rentabilidade automática sobre saldo, geralmente via CDB liquidez diária ou fundo DI interno:
- Nubank Caixinhas: 100% do CDI, com resgate na hora. A Caixinha Turbo paga 115% do CDI para quem deposita R$ 900 por mês na conta.
- PagBank: CDB de liquidez diária a 103% do CDI.
- C6 Bank: CDB de liquidez diária a 101,5% do CDI.
- Inter Meu Porquinho por Objetivos: até 100% do CDI.
- Mercado Pago Cofrinhos: a partir de 100% do CDI.
Taxas consultadas nos sites das instituições em outubro de 2026. Para a maioria das pessoas, essas opções são mais simples que aplicar em fundos DI tradicionais. Veja a comparação completa das contas e corretoras que pagam juros sobre o saldo e o ranking dos melhores CDBs.
Vantagens e desvantagens dos fundos DI
Vantagens
- Gestão profissional.
- Alta diversificação.
- Liquidez diária.
- Baixíssima volatilidade.
- Bom para reserva de emergência.
- Ponto de partida prático para iniciantes.
Desvantagens
- Come-cotas reduz rentabilidade de longo prazo.
- Taxa de administração (embora baixa) impacta retorno.
- Sem garantia FGC.
- Tesouro Selic e CDBs não têm come-cotas.
- CDBs de liquidez diária pagam 100% do CDI ou mais com garantia do FGC.
Quando faz sentido usar fundo DI?
- Conveniência: quando o banco ou a corretora já aplica o saldo automaticamente em um fundo.
- Valores altos: quando você passa do limite FGC em CDBs e quer diversificação.
- Carteira Previdência Privada: muitos PGBL/VGBL têm fundos DI como base conservadora.
- Portfólio institucional: empresas usam muito para gestão de tesouraria.
Tributação (resumo)
- IR regressivo:
- Até 180 dias: 22,5%.
- 181 a 360 dias: 20%.
- 361 a 720 dias: 17,5%.
- Acima de 720 dias: 15%.
- Come-cotas: 15% sobre os rendimentos nos fundos de longo prazo e 20% nos de curto prazo, em maio e novembro.
- IOF: decrescente nos primeiros 30 dias.
- Recolhimento: automático (retido na fonte).
- Declaração anual: rendimentos em "Rendimentos com Tributação Exclusiva", saldo em "Bens e Direitos". Veja como declarar investimentos no IRPF.

Perguntas frequentes
Fundo DI tem garantia do FGC?
Não. Fundos de investimento não têm cobertura do FGC. A proteção do cotista vem da separação entre o patrimônio do fundo e o da gestora, além da qualidade dos títulos da carteira.
Quanto rende um fundo DI em 2026?
Um fundo DI busca acompanhar o CDI, que está em 13,65% ao ano em outubro de 2026. O retorno do cotista é o CDI menos a taxa de administração e o IR. Com uma taxa de 0,5% ao ano, por exemplo, o rendimento bruto cai para 13,15% ao ano.
Fundo DI ou Tesouro Selic: qual a diferença?
O fundo DI é uma carteira administrada por uma gestora, cobra taxa de administração e paga come-cotas em maio e novembro. O Tesouro Selic é um título público comprado direto, paga custódia de 0,20% ao ano acima de R$ 10.000 e só tem IR no resgate.
Fundo DI pode ter rentabilidade negativa?
É raro em fundos que só compram títulos públicos pós-fixados. Fundos com crédito privado podem ter dias ou meses negativos quando um emissor da carteira tem problemas.
Conclusão
Os fundos de renda fixa DI servem para guardar dinheiro com baixa oscilação, liquidez diária e diversificação. Têm riscos, mas o perfil conservador combina com reserva de emergência e dinheiro "em trânsito".
As alternativas mais usadas para o mesmo objetivo são:
- Tesouro Selic: garantido pelo Tesouro Nacional, sem come-cotas e com custódia isenta até R$ 10.000.
- CDBs de liquidez diária a 100% do CDI ou mais: garantia do FGC até R$ 250 mil.
- Contas remuneradas: rendimento automático sobre o saldo em bancos digitais.
Fundos DI continuam úteis para quem já tem conta em uma corretora com fundos de taxa de administração baixa ou para quem aplica valores acima do limite do FGC.
Disclaimer: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Consulte sempre um profissional qualificado antes de investir.




