Como investir em ouro no Brasil em 2026


Se você já se perguntou "vale a pena investir em ouro?" ou "como comprar ouro no Brasil?", este guia completo é para você. Aqui vai descobrir:
- Por que investir em ouro pode ser uma boa opção.
- As vantagens e desvantagens do ouro como investimento.
- Como comprar ouro físico, ETFs e BDRs de ouro na B3 ou ações de mineradoras.
- O que aconteceu com o contrato OZ1D, que deixou de ser negociado em 2024.
- Tributação e dicas práticas para o mercado brasileiro.
Por que investir em ouro?
O ouro é usado como meio de troca e reserva de valor há milhares de anos. Costuma ser procurado em períodos de instabilidade e de crise econômica.
O ouro não gera rendimentos passivos, como dividendos ou juros. Seu preço depende da oferta e da demanda globais e oscila bastante. Para o investidor brasileiro, depende também da cotação do dólar.
Principais motivos para investir em ouro
1. Reserva de valor
O ouro tende a manter o poder de compra ao longo de períodos longos. Ao mesmo tempo, o real tem perdido valor, tanto pela inflação doméstica quanto pela desvalorização diante do dólar.
Para o investidor brasileiro, o preço do ouro em reais soma dois movimentos: a cotação internacional do metal em dólares e a cotação do dólar em reais.
2. Diversificação de carteira
O ouro apresenta baixa correlação com as ações, incluindo as brasileiras (Ibovespa). Isto significa que os movimentos do ouro não seguem de forma sistemática os das ações, o que o torna útil para diversificação.
Em momentos de crise geopolítica (guerras, eleições turbulentas, recessões), costuma ser procurado como "ativo de refúgio".
3. Proteção contra desvalorização do real
Esta é uma característica especialmente relevante para brasileiros. Como o ouro é cotado em dólar no mercado internacional, uma desvalorização do real diante do dólar geralmente traz alta no preço do ouro em reais. É uma forma indireta de dolarização do patrimônio.
O gráfico mostra o tamanho desse efeito cambial: o dólar passou de uma média de R$ 3,20 em janeiro de 2017 para R$ 5,14 em setembro de 2026, uma alta de cerca de 61%. Quem tinha ouro nesse período ganhou essa variação além da variação do próprio metal.

Desvantagens de investir em ouro
- Não gera rendimentos: não paga dividendos nem juros.
- Volatilidade no curto prazo: pode oscilar bastante com as taxas de juros, a política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), tensões geopolíticas e especulação.
- Custos adicionais: armazenamento seguro do ouro físico, taxa de administração em fundos e ETFs, diferença entre preço de compra e de venda.
- Sem lucros para reinvestir: empresas geram lucro e o reinvestem, o ouro não. O retorno depende só da variação do preço.
- Risco cambial embutido: como o ouro é cotado em dólar, uma valorização do real reduz o preço do ouro em reais.
Como comprar ouro no Brasil
1. Ouro físico (barras e moedas)
Você compra barras de ouro em distribuidoras de títulos e valores mobiliários (DTVMs) especializadas, que precisam de autorização do Banco Central. Antes de comprar, confirme a autorização na ferramenta Encontre uma instituição, do Banco Central.
Características:
- Pureza: as barras de investimento têm teor de 999 milésimos ou mais (24 quilates).
- Tamanhos: de poucos gramas a 1 kg, conforme a instituição.
- Custos: a instituição cobra um ágio sobre a cotação, maior nas barras pequenas, e paga menos na recompra. Some a isso o custo de guardar o ouro (cofre ou custódia) e de segurá-lo.
- Exija a nota de negociação: ela comprova a origem e o custo de compra para o Imposto de Renda (IR).
Tributação: 15% sobre o lucro na venda. A regra de isenção depende de como o ouro foi comprado (veja a seção de tributação).
2. Contratos de ouro na B3: o OZ1D acabou
Durante décadas, a forma mais direta de investir em ouro na bolsa foi o contrato à vista OZ1D (lote de 250 gramas) e os fracionários OZ2D e OZ3D. Esses contratos não existem mais. A B3 descontinuou o ouro ativo financeiro por falta de liquidez. O último dia de negociação foi 28 de março de 2024, conforme o Ofício Circular 030/2024-PRE.
Em julho de 2025 a B3 lançou um contrato futuro de ouro com liquidação financeira (código GLD). É um derivativo: tem vencimento, exige depósito de margem e ajuste diário de ganhos e perdas. Serve a quem já opera futuros e não substitui o antigo OZ1D para o investidor comum.
Para quem quer exposição ao preço do ouro pela corretora, o caminho em 2026 são os ETFs e os BDRs de ETFs.
3. Fundos e ETFs de ouro
Os ETFs são fundos com cotas negociadas na B3 como se fossem ações. Você não precisa guardar o metal e pode vender em qualquer pregão.
Opções em 2026:
- GOLD11: ETF da XP Asset que acompanha o LBMA Gold Price, a referência internacional do ouro em dólares. A cota varia com o preço do ouro e com o câmbio.
- BIAU39: BDR (recibo negociado na B3) do ETF americano iShares Gold Trust, da BlackRock, que acompanha o mesmo índice.
- Fundos de investimento em ouro: oferecidos por bancos e corretoras, sem negociação em bolsa. Confira a taxa de administração e a política de investimento na lâmina de informações essenciais antes de aplicar.
A taxa de administração muda de produto para produto e pode ser alterada. Consulte o valor atual no regulamento do fundo e na página do GOLD11 no site da XP Asset.
4. Mineradoras de ouro (ações)
Investir em empresas que produzem ouro é uma forma indireta de exposição. Newmont e Barrick são exemplos de grandes mineradoras internacionais. Do Brasil, o acesso a mineradoras estrangeiras é feito por BDRs, quando existem para a empresa, ou por corretoras com conta no exterior.
Atenção: ações de mineradoras oscilam mais que o próprio ouro e dependem também dos custos e da gestão da empresa. Os critérios para avaliar uma empresa estão no guia sobre como investir em ações.
Tabela comparativa
| Forma | IR sobre o lucro | Custos | Negociação |
|---|---|---|---|
| Ouro físico | 15% | Ágio na compra, deságio na venda, guarda | Recompra pela instituição |
| ETF (GOLD11) | 15% (20% em day trade) | Taxa de administração | Diária, na B3 |
| BDR de ETF (BIAU39) | 15% (20% em day trade) | Taxa do ETF no exterior | Diária, na B3 |
| Futuro de ouro (GLD) | 15% (20% em day trade) | Margem, taxas da B3, corretagem | Diária, até o vencimento |
| Mineradoras | 15% (20% em day trade) | Emolumentos da B3 | Diária, em bolsa |
Quanto alocar em ouro?
Não existe um percentual oficial. Como o ouro não gera renda e oscila bastante, ele costuma ocupar uma parte pequena das carteiras diversificadas, ao lado de ações e de renda fixa. A proporção depende dos seus objetivos, do prazo e de quanto risco você aceita.
Há carteiras que dispensam o ouro e buscam diversificação fora do real de outras formas, como ações internacionais. Veja como investir no S&P 500 a partir do Brasil.
Como comprar um ETF de ouro pela corretora (passo a passo)
- Abra conta em uma corretora. O processo é 100% digital. Compare as melhores corretoras de investimentos.
- Transfira o dinheiro via PIX.
- Pesquise o ticker GOLD11 (ou BIAU39) no home broker.
- Digite a quantidade de cotas e o preço. Ordens limitadas evitam pagar acima do que você definiu.
- Confirme. A liquidação ocorre em D+2, dois dias úteis depois.
Em 9 de outubro de 2026, a cota do GOLD11 era negociada a R$ 21,68 na B3. Com R$ 100 era possível comprar 4 cotas. O passo a passo completo de uma ordem está no guia sobre como investir na bolsa de valores.
Fatores que influenciam o preço do ouro
- Taxas de juros americanas: quando o Fed sobe os juros, o ouro tende a cair, porque a renda fixa em dólar fica mais atrativa. Quando corta, o ouro tende a subir.
- Inflação global: períodos de alta inflação favorecem o ouro.
- Tensões geopolíticas: guerras, conflitos e crises aumentam a demanda por ouro.
- Valor do dólar: dólar mais fraco no mundo costuma significar ouro mais caro em dólares. No Brasil, o preço em reais depende ainda da cotação do dólar frente ao real.
- Demanda de bancos centrais: os bancos centrais compraram 863 toneladas de ouro em 2025, depois de 1.092 toneladas em 2024, segundo o relatório Gold Demand Trends, do World Gold Council (a associação das mineradoras de ouro). A entidade classifica esse nível como historicamente elevado.
Tributação do ouro no Brasil
ETFs, BDRs e futuro de ouro
- 15% sobre o lucro na venda (20% em day trade).
- Não há isenção para vendas de até R$ 20.000 no mês. Essa isenção vale para ações.
- Você calcula e paga o imposto via DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), código 6015, até o último dia útil do mês seguinte ao da venda.
Ouro físico
- Ouro ativo financeiro (barras negociadas por meio de instituição autorizada pelo Banco Central, como define a Lei 7.766/1989): 15% sobre o lucro. A Lei 11.033/2004 isenta o ganho quando as vendas de ouro ativo financeiro no mês somam até R$ 20.000. Esse limite é separado do limite das ações. O lucro tributável é pago via DARF, código 6015.
- Ouro como mercadoria (joias, por exemplo): o lucro é ganho de capital, tributado a partir de 15%. O artigo 22 da Lei 9.250/1995 isenta a venda de bens de pequeno valor, até R$ 35.000 no mês. O imposto é apurado no programa GCAP da Receita Federal e pago via DARF, código 4600.
- Guarde as notas de compra. Em caso de dúvida sobre o enquadramento, consulte um contador.
Ações e BDRs de mineradoras
- 15% sobre o lucro (20% em day trade).
- Ações de empresas brasileiras: isenção se as vendas de ações no mês somarem até R$ 20.000.
- BDRs: sem essa isenção.
Todas as posições entram na ficha de Bens e Direitos da declaração anual, pelo custo de compra. Veja como declarar investimentos no IRPF.
Dicas práticas para investir em ouro
- Compare preços antes de comprar ouro físico: verifique o preço de venda e o de recompra em mais de uma instituição.
- Para liquidez, considere ETFs: é mais fácil entrar e sair do que com barras.
- Diversifique: combine ouro com ações, renda fixa e FIIs.
- Horizonte de longo prazo: o ouro faz mais sentido como proteção de longo prazo, não como aposta de curto prazo.
- Defina a proporção antes de comprar: decida quanto da carteira o ouro vai ocupar e rebalanceie quando ele passar desse limite.
Conclusão: vale a pena investir em ouro no Brasil em 2026?
O ouro é uma boa ferramenta de diversificação para carteiras brasileiras, especialmente pela proteção contra desvalorização do real. No entanto, não deve ser o motor principal do crescimento patrimonial.
A proporção varia com o perfil. Quem prioriza proteção costuma reservar uma fatia maior. Quem busca crescimento pode dispensar o ouro e diversificar por outras classes.
O ouro funciona melhor como parte de uma carteira que também tem ações, fundos imobiliários (FIIs) e títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ (veja como investir no Tesouro Direto).
Perguntas frequentes
1. O ouro paga dividendos?
Não. O ouro é um ativo de preservação de valor, não de geração de renda.
2. Onde consultar o preço do ouro no Brasil?
A referência internacional é o LBMA Gold Price, em dólares por onça troy (31,1 gramas). No Brasil, as DTVMs divulgam o preço em reais por grama e os apps das corretoras mostram a cotação dos ETFs de ouro.
3. Ainda dá para comprar OZ1D na B3?
Não. Os contratos de ouro à vista (OZ1D, OZ2D e OZ3D) foram negociados pela última vez em 28 de março de 2024. As alternativas na bolsa são os ETFs, os BDRs de ETFs e o contrato futuro de ouro.
4. É melhor comprar ouro físico ou ETF de ouro?
O ETF é mais prático: você compra e vende pela corretora, a partir de uma cota, sem se preocupar com a guarda. O ouro físico faz sentido para quem quer ter o metal em mãos e aceita os custos de ágio e de armazenamento.
5. Ouro protege contra inflação?
Em períodos longos, o ouro tende a acompanhar a perda de valor das moedas. No curto prazo, pode cair mesmo com inflação alta.
Disclaimer: Este conteúdo é meramente informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.




